Só as tuas mãos trazem os frutos.
Só elas despem a mágoa
destes olhos, e dos choupos,
carregados de sombra e rasos de água.
Só elas são
estrelas penduradas nos meus dedos.
– Ó mãos da minha alma,
flores abertas aos meus segredos.
Adoro mãos, adoro Eugénio de Andrade e adoro este poema! Adoro sentir coisas simples, bonitas e sinceras. Mergulhar nas palavras, acreditar que são eternas e que não me sairão dos sentidos. Ter a certeza de que são puras e de que embalam o meu coração, agarram-lhe a mão e mostram-lhe o que de melhor o mundo tem. Fora do papel, já nada é assim tão simples, já nada se concretiza plenamente. Porém, se no papel é assim, nele quero ficar, sentir a sua textura através de uma caneta, passar a minha mão por ele e sentir a sua calma, a sua paz. Explicar-lhe coisas simples, coisas bonitas. Mostrar-lhe o mundo, mostrar-lhe o meu coração, mostrar-lhe o que amo. Ensinar-lhe os caminhos bonitos que nos levam a lugares encantadores, dizer-lhe o que me faz feliz e o que me faz ser uma pessoa mais vulnerável. Ser o mundo dele, num mundo que é seu.
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