quarta-feira, 21 de maio de 2008

O poder das acções!!!

"Um dia, quando eu era caloiro na escola, vi um miúdo da minha turma a
caminhar para casa depois da aula. O nome dele era Kyle.Parecia que estava a
carregar os seus livros todos.

Eu pensei: 'Porque é que leva para casa todos os livros numa
sexta-feira? Ele
deve ser mesmo um marrão.

Como já tinha o meu fim-de-semana planeado (festas e um jogo de
futebol com meus amigos no sábado à tarde) encolhi os ombros e segui o meu
caminho.

Conforme ia caminhando, vi um grupo de miúdos a correr na
direcção dele.

Eles atropelaram-no, arrancando-lhe todos os livros dos braços
e empurraram-no, de tal forma que ele caiu no chão. Os seus óculos voaram, e
eu vi-os
aterrarem na relva a alguns metros de onde ele estava. Ele ergueu o rosto e
eu
vi uma terrível tristeza nos seus olhos. O meu coração penalizou-se por ele.
Então, corri até ele enquanto ele gatinhava à procura dos óculos, e pude ver
lágrimas nos seus olhos. Enquanto lhe entregava os óculos, eu disse:
'Aqueles tipos são uns parvos. Eles deviam era arranjar uma vida própria'.

Ele olhou para mim e disse: Ei, obrigado! Havia um grande sorriso na
sua face.
Era um daqueles sorrisos que realmente mostram gratidão.

Eu ajudei-o a apanhar os livros, e perguntei-lhe onde morava.
Por coincidência ele morava perto da minha casa, então eu perguntei como é
que nunca o
tinha visto antes. Ele respondeu que antes frequentava uma escola
particular.

Conversámos todo o caminho de volta para casa, e carreguei-lhe os
livros.
Ele revelou-se um miúdo muito porreiro.

Perguntei-lhe se queria jogar futebol no Sábado comigo e com os meus
amigos, ele disse que sim. Ficamos juntos todo o fim-de-semana e quanto mais
eu conhecia Kyle, mais gostava dele. E os meus amigos pensavam da mesma forma.

Chegou a Segunda-Feira, e lá estava o Kyle com aquela quantidade
imensa de livros outra vez. Parei-o e disse, 'Diabos, pá, vais fazer o quê com
os livros de novo? Ele simplesmente riu e entregou-me metade dos livros.

Nos quatro anos seguintes Kyle e eu tornámo-nos melhores amigos.

Quando nos estávamos a formar começámos a pensar na faculdade.
Kyle decidiu ir para Georgetown, e eu ia para a Duke. Eu sabia que seríamos sempre
amigos, que a distância nunca seria um problema.


Ele seria médico, e eu ia tentar uma bolsa escolar na equipa de futebol.

Kyle era o orador oficial da nossa turma.

Eu provocava-o o tempo todo por ele ser um C. D. F. Ele teve que
preparar um
discurso de formatura. Eu estava super contente por não ser eu a subir
ao palanque e discursar.

No dia da Formatura eu vi Kyle. Ele estava óptimo. Era um daqueles
tipos que
se encontram durante a escola. Ele estava mais encorpado e realmente
tinha uma
boa aparência, mesmo usando óculos. Ele saía com mais miúdas do que
eu, e todas as raparigas o adoravam! Às vezes eu até ficava com inveja.

Hoje era um desses dias. Eu podia ver o quanto ele estava nervoso por
causa do
discurso. Então dei-lhe uma palmadinha nas costas e disse:
Ei, rapaz, vais sair-te bem! Ele olhou para mim com aquele olhar de
gratidão e
sorriu. Valeu, disse ele.

Quando ele subiu ao oratório, limpou a garganta e começou o discurso:

'A Formatura é uma época para agradecermos aqueles que nos ajudaram durante
estes anos duros. Aos pais, aos professores, aos irmãos, talvez até a um
treinador. Mas principalmente aos amigos. Eu estou aqui para lhes dizer que ser
um amigo para alguém é o melhor que se pode dar. Eu vou-lhes contar uma história.

Eu olhei para o meu amigo sem conseguir acreditar enquanto ele
contava a
história sobre o primeiro dia em que nos conhecemos. Ele tinha planeado
suicidar-se naquele fim-de-semana. Contou a todos como tinha esvaziado
o seu
armário na escola, para que a mãe não tivesse que fazer isso depois de ele
morrer, e estava a levar as suas coisas todas para casa.

Ele olhou directamente nos meus olhos e deu-me um pequeno sorriso.

'Felizmente eu fui salvo. O meu amigo salvou-me de fazer algo
inominável'.

Eu observava, com um nó na garganta, todos na plateia, enquanto aquele rapaz
popular e bonito contava a todos sobre aquele seu momento de fraqueza.

E vi a mãe e o pai dele a olharem para mim e a sorrir com aquela
mesma gratidão.

Até aquele momento eu nunca me tinha apercebido da profundidade do
sorriso que
ele dirigiu naquele dia.

Nunca subestimes o poder das tuas acções. Com um pequeno gesto podes
mudar a
vida de uma pessoa. Para melhor ou para pior. Deus coloca-nos a todos
nas vidas uns dos outros para
que tenhamos um impacto um sobre o outro de alguma forma.

Procura o bem nos outros. "

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